O valor do brinquedo no cultivo dos sentidos por Pilar Tetilla Manzano Borba

“Tudo que é artificial ilude os sentidos das crianças”


A criança percebe o mundo pelos seus órgãos sensoriais: Tato, Olfato, Gustação, Visão e Audição; pelo sentido do equilíbrio, do movimento, do calor, etc.

O mundo entra nela pelos órgãos dos sentidos. E isso se dá pelo contato com a natureza, pela vivência dos elementos: ar, água, terra e fogo; pelas brincadeiras do dia-a-dia e pelos brinquedos. Tão importante como a brincadeira o brinquedo em si tem sua atuação: - o material de que é feito, as formas, as cores, a proporção, o volume, a superfície, o peso, etc.

Enquanto a criança vivencia os quatro elementos ela também adquire a noção de duro-mole, pesado-leve, quente-frio, alto-baixo, grande-pequeno, e assim vai se situando no mundo e fazendo uso do que o mundo proporciona.

A atividade do brincar exige um esforço interior de expressão do EU, denominado IMAGINAÇÃO. Essa imaginação precisa ser alimentada, precisa ter ambiente adequado. Os brinquedos prontos não dão “asas” à imaginação.


A PERCEPÇÃO VISUAL

A criança observa atentamente o mundo animal, vegetal, mineral e humano com muita curiosidade. O sentido da visão é constantemente atacado por cores fortes, berrantes, por gravuras agressivas, caricaturas de animais e pessoas. Além de ser um ataque ao sentido da visão, é também uma afronta ao sentido da beleza. Os brinquedos ou materiais usados pelas crianças devem ter cores claras, nítidas e se possível sem tonalidades mistas.

Os brinquedos de madeira de preferência na sua cor natural. Quando pintados a cor deve ser firme, não tóxica e lavável.


A PERCEPÇÃO DA FORMA

O brinquedo quanto ao tamanho deve caber na mão da criança. A criança deve poder segurar o brinquedo com firmeza. Pontas e quinas devem ser arredondadas. A pessoa, coisa ou animal que o brinquedo representa deve ser facilmente reconhecível. Detalhes em demasia confundem e não permitem que a fantasia da criança atue. Evitar brinquedos com formas humanas irreais e animais com várias cabeças. Os pais devem procurar usar o bom senso.

O TAMANHO

O tamanho do brinquedo deve ser proporcional ao tamanho da criança. As bonecas devem caber em seus braços pois ela representa a(o) filha(o). Não tem sentido a boneca ser maior do que a criança. Quanto aos blocos de madeira devem ser maiores para as crianças pequenas para facilitar o manuseio e para as crianças maiores eles já podem ter tamanhos menores. Evitar peças que podem ser engolidas.


A PERCEPÇÃO AUDITIVA

Os sons necessitam ser suaves e melódicos. Dê preferência à voz humana e carinhosa. Procurar evitar os ruídos eletrônicos que destroem a sensibilidade auditiva causando inclusive surdez. Observar o ruído do vento, o som das ondas do mar, o canto dos pássaros, a voz dos animais, o som das sementes dentro das vagens, do balanceio dos galhos das árvores, etc.


A PERCEPÇÃO TÁTIL

O tato deve ser educado principalmente pela roupa que a criança veste.

Roupas de algodão, lã ou até seda permitem que a pele respire ao contrário dos tecidos sintéticos. Os brinquedos também atuam no tato da criança. Os de plástico são muito frios, de matéria morta; já os de madeira são quentes, provém de matéria viva. Os de lã natural atuam também beneficamente assim como os de pano de algodão.

A sucata deve ser cuidadosamente escolhida pois a maioria não passa de lixo.

Para o sentido do tato é essencial que a criança tenha contato com os quatro elementos da natureza (ar, água, terra e fogo) através das brincadeiras com água, barro, areia; dos diferentes materiais dos brinquedos (madeira, bambu, cascas de cocos, cabaças, sementes, conchas, sisal, algodão, lã de carneiro, tecidos de algodão, etc).

A facilidade de agarrar o brinquedo e o ‘calor’ da superfície é importante para o desenvolvimento da percepção tátil. Também é necessário que a criança brinque no chão em contato com o calor do solo se arrastando, rolando, pulando para sentir seu limite corporal através do sentido do tato.

Evitar brinquedos que não condiz com a realidade como por exemplo carros de plástico que se afundam e ferramentas que entortam.


A PERCEPÇÃO OLFATIVA